segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Coletivoz no museu da pessoa

Imaginem aquela sua história mais íntima e pessoal.; profunda e profusa; de transformação pessoal ou coletiva; de revolta e de luta; de ideal e de razão; de infância ou da juventude abstrata. Imaginem agora essa história sendo ouvida de peito aberto, de coração exposto; de conjugação igual à tantas outras do nosso Brasil. Foi exatamente essa experiência que praticamos no último final de semana (21 e 22/10) a convite da ONG Oficina de Imagem e do projeto UM MILHÃO DE HISTÓRIAS DE VIDA DE JOVENS. O Coletivoz foi uma das instituições mineiras selecionadas a participar e se tornar multiplicadora do projeto. Assim, vamos começar com alguns ciclos de histórias para coletar, abrigar, receber sua todas as histórias de jovens de nosso entorno e parceiros. todas as histórias acolhidas farão parte do acervo do MUSEU DA PESSOA (http://www.museudapessoa.org.br/).
Mesmo que todas as visões e revisões de nossa vida atendam um conteúdo altamente poético, ou necessáriamente ácido, temos um tempo guardado; uma voz guardada de questões. desaguar essas questões de vida, essas reclamações do tempo, é compartilhar com nossos iguais a necessidade de um novo fazer histórico. Sim! um novo fazer histórico que nasce do seio da população, dos simples que estão em todo lugar. Substituimos assim as histórias canônicas, dos "grandes", pela nossa própria, com todos os detalhes que dedicamos à ela. Mais que praticar a socialização dessas histórias, o projeto www.ummilhaodehistorias.org.br de jovens vem traduzir a real necessidade dos jovens brasileiros em suas diversas áreas de atuação e vivência. Por aqui, ficamos a ouvir as histórias de guerra e de paz dos jovens negros e de toda periferia.

À luta, à voz!

Rogério Coelho

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Festejo Popular Coletivoz

Indescritível! Foi a linda recepção do público, ainda muito tímido, por devida carência de movimentos culturais do Bairro independência; Foi a maravilha de cores, que nos trouxe a Cia Circunstância de palhaços; Foi a brincadeira contagiante dos foliões adormecidos, dentro das pessoas, no interior de seus interiores; foi a alegria, avessa a qualquer dificuldade dos dias na periferia, em prol do apego a qualquer preço, à graça do Boi Rosado; Foi a decência da luta, embalada pela música cubana de Pepe & Luna, e escancarada pela voracidade da banda Efecto, por uma voz que se estreita no poder da fala; foi a revolução armada do Hip-Hop e seus filhos de hoje: CDR Trincamente, Kdu dos Anjos, DW a Corte, Ice Band, CMR, Reação da Favela, LA Comboio de Loucos, entre outros tantos guerreiros.

Foi Mais! Melhor, “é” mais! É a energia humana das crianças do tambor CIAC Vila Pinho, que levantaram do chão desse grito de independência. É isso que permanece em nosso espírito guerreiro para continuar o levante.

Em especial aos guerreiros que trabalharam fielmente pelo encontro: Kaká (tudo no seu nome!!), Jessé Duarte, Kdu dos Anjos, Vanessa Duarte, Jéssica Pessoa, Lucas de Pedro, Ronildo, Ângela Maria, Maria Helena, José Herculano, Dnª Zinha.

Obrigado, povo lindo, por sua luta e sua voz, nesse primeiro aniversário da Coletivoz.

Rogério Coelho











terça-feira, 1 de setembro de 2009

ANIVERSÁRIO 01 ANO COLETIVOZ FESTEJO POPULAR



Você tem voz?

Quem ouve coisa parecida pode ter um estranhamento óbvio por não ter nenhuma deficiência na fala, que o impeça de falar. Bom, se eu falo, logo, tenho voz! Certo? Sim, está certo. Mas, lhe digo, caro amigo e amiga: há quem não fale, mas tem maior voz do que outros tantos falantes, que falam apenas contra o vento. A voz de que falo é aquela que surge quando há uma dúvida fundamental a resolvermos com o mundo; quando temos algo a dizer, expressar; uma raiva, ou uma palavra de amor; uma denúncia ou uma verdade. Voz que insiste em sair do peito quando vemos alguma injustiça, na rua de nossa casa ou no congresso Nacional. Fora ladrão! Ou Fora político! Voz que se estreita entre aquela carta de amor, que eu escrevia quando jovem, e guardo para reler minha inocência perdida no tempo, e na rapidez dos dias, todas as vezes que abro minhas gavetas cheias de passado. Voz que vem naquela necessidade de escrever sobre meu dia; sobre como foi, ou como gostaria que fosse, ou como desejo que seja meu amanhã, talvez. Voz que me obriga a me rebelar contra as injustiças que todo governo comete, quando deixa que eu fique sem saúde, esgoto ou educação, e tenho que chutar algumas portas para conseguir auxílio, porque não tenho “dinheiro” para abri-las.
A voz de que falo surge quando há uma questão que nos oprime diante de uma solução; quando há algo que queremos saber a todo custo, e enfim, perguntamos, questionamos, escrevemos, gritamos, choramos, duvidamos, brigamos, nos declaramos, seja por o amor ou por o ódio. Enfim, é o momento em que deixamos nosso EU interior falar por nós, na esperança de que o mundo mude, ou que ele seja do tamanho de nossa necessidade; do nosso amor; de nossa razão e fúria; de nosso medo e paixão diante da vida, da morte ou do Deus que acreditamos ou não.
A voz de que falo, queridos companheiros, é aquela que não conseguimos comprimir dentro de uma caixa, ou dentro de um peito; dentro de uma folha em branco ou no limite de algumas linhas no papel; dentro de uma periferia ou de uma cidade. Ela tem o tamanho de nossa revolução interior, que pode atingir um vizinho malcriado, um político torto, um(a) namorado(a) amado(a), um cachorro sarnento ou um governante descarado.
Vou repetir a tal pergunta: Você tem voz?
De certo, agora você deve ter algo a dizer: SIM, minha vida! Esta é a voz que o mundo precisa ouvir para ser um lugar mais digno. Acredite! Lugar em que eu possa compartilhar a dor e o amor alheios, e faça com que eu tenha mais força para viver e conquistar meu espaço, defender minha natureza e origem e repensar minha identidade.
E a COLETIVOZ é o SEU lugar de contar ao mundo sua trajetória de vida. Poema no lugar de amor, fúria e denúncia em forma de poesia, cotidiano em forma de crônica, pedra no lugar de caminho, corpo presente no lugar da voz, tudo isso representa o que temos a dizer.
Ei, psiu...
E você, vai ficar ai calado?
Venha para a COLETIVOZ, sarau popular sem fins lucrativos, partidários ou religiosos.















segunda-feira, 31 de agosto de 2009

FESTA AFROLITERÁRIA NANDYALA Livraria

Salve vozes!

“Literaturas Africanas e Afrobrasileira na sala de aula: refletindo sobre a Lei 10.639/2003” (Seminário Internacional)

Este foi o tema de Grandes discussões entorno da implementação da Lei 10.639 que tomaram parte de todo sábado (29/08). As implicações sobre a voz literária dentro das salas de aula vieram dos autores presentes: Odete Costa Semedo (Guiné-Bissau), Conceição Evaristo, Jussara Santos, Sonia Rosa, Prisca Agustoni, Madu Galdino, Consuelo Dores, Ondjaki (Angola), Edimilson de Almeida Pereira e Rubem Filho.

Fizemos alguns apontamentos sobre a questão da periferia e seu lugar de posição nas Ações Afirmativas (plano de metas para a implementação das culturas africanas e afro-brasileiras nas escolas e universidades). Ouvimos muito sobre a importância, como nos disse o autor Angolano ‘camarada’ Ondjaki, “de se repensar a identidade, principalmente nos locais de exclusão como a periferia”, além de ressaltar os princípios do que ele mesmo preferiu chamar de “atos culturais, ou atos políticos”, que são as atividades culturais que fomentam essas discussões. Entendemos que o sarau da Coletivoz, como vários outros pelo Brasil, é um desses lugares que precisa inspirar outros movimentos pelos “Brasis” periféricos. Como bem declarou o digníssimo e, diga-se de passagem, muito afetuoso e respeitoso Edmilson de Almeida Pereira sobre a diferença entre as periferias brasileiras. Segundo ele, “falamos de uma periferia urbana, que se diferencia da rural por um modelo de estruturas, mas que tem características muito próximas e iguais, como a ausência total do Estado”. “A ausência do Estado nessas regiões permite que haja o constante auto-extermínio; a arquitetura de violência em que as gangues, o domínio do tráfico de drogas, grupos de extermínio, entre outros se apropriam dessa ausência do poder público para promover a pena de morte em detrimento da impunidade”, como concorda também o autor Rubem filho, presente na mesa de depoimentos. Ainda com Edmilson, ouvimos que as “associações culturais orientam a capacidade criativa dos locais de exclusão” e que, “a escola é um lugar que deve ser capaz de injetar elementos de vigor da periferia, ou seja, sua produção artística e humana”, o que entendemos ser parte do valor simbólico do nosso povo.

Um encontro que reforça nossa luta por uma voz mais potente contra a falta de acesso da periferia, contra o descaso público, que nos deixa entre as guerras urbanas em extermínio e a notícia é sempre balela, mas quando se trata de um assassinato na zona sul, é invasão declarada do favelado: o caos urbano no meio da elite.

À luta, à voz!

Rogerio Coelho

Edmilson, Ondjaki, Rubem e Iris amâncio.


Prisca Augustoni, Sônia Rosa, Aracy alves e Consuelo Dores


Valeu Edmilson!









quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Sarau Número 50

 
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